sábado, 27 de abril de 2013

21 de fevereiro: 2ª oficina.

Esta oficina foi realizada no estúdio de fotografia da Unipampa – campus São Borja. Antes de iniciar as atividades, meu orientador e eu levamos os participantes do projeto para conhecer a instituição: entramos em salas de aula (uma de publicidade e outra de serviço social) e apresentamos um breve resumo do projeto para os alunos que estavam presentes; fomos na sala dos coordenadores de curso; assessoria de imprensa; passeamos pelos corredores da universidade. Depois disto nos dirigimos até o estúdio de fotografia.

Escolhi duas fotos (feitas na oficina anterior) de cada participante, imprimi e passei tinta plástica nos contornos mais expressivos, fazendo com que todas as imagens ficassem em relevo, com isso os participantes puderam “sentir” as fotografias. A técnica foi aprovada por todos.

Logo depois iniciei o conteúdo teórico, desta vez falamos sobre planos fotográficos e pontos de vista. Dividi o grupo de seis pessoas em duplas e cada um deles teve a oportunidade de usufruir do estúdio de fotografia.

Plano geral: O elemento principal é o ambiente. E o sujeito é apenas um elemento dominado pela situação.
O homem de cabeços e barba grisalhos aparece em pé, de frente para a câmera. Ele está usando óculos escuros, uma camiseta branca com listras escuras, calça clara, relógio no pulso esquerdo e está sem sapatos. Ao fundo apenas uma parede branca.
Paulo fotografou Ramão em plano geral.
Plano americano: Enquadra-se a pessoa acima dos joelhos.

O homem aparece em pé, olhando em direção à câmera. Ele está enquadrado dos joelhos até acima da cabeça. Usa camiseta azul, boné branco e calça preta. O fundo é uma parede branca.
Luiz foi fotografado por Marcos

Plano médio: Da cintura para cima. É indicado para fotografar duas ou mais pessoas.

A foto está na horizontal, o homem aparece enquadrado da cintura até acima da cabeça. Está usando camisa social branca de mangas curtas e calça social preta. Ao fundo apenas uma parede branca e na parte direita da imagem aparece um pedaço do equipamento do estúdio.
Marcos fotografado por Luiz.
Primeiro plano ou close-up: Ombros e cabeça devem ser enquadrados. Serve para captar emoções expressas no rosto da pessoa (parecido com fotos 3x4).
A imagem está na horizontal. Alessandra está enquadrada da altura do peito até acima da cabeça. Ela é loira e está usando uma regata cor salmão, óculos escuros e os cabelos presos para trás.
Alessandra fotografada por Tania.
Primeiríssimo plano/ superclose/ big close-up: Mostra só o rosto. Tem intenção de revelar características e emoções mais profundas das pessoas.

A imagem está na vertical. O rosto de Tania está preenchendo todo o espaço da imagem. Ela esboça um leve sorriso e está usando batom rosa.
Tania fotografada por Alessandra.
Plano detalhe/ extreme close-up: Serve para enquadrar detalhes: olhos, boca, brincos, etc. Detalhes que passariam despercebidos em planos maiores.
A mão esquerda de Paulo está preenchendo toda a imagem, no dedo anelar há uma aliança de casamento.
A mão de Paulo fotografada por Ramão.
O grupo interagiu bem com a atividade proposta. Mas então vocês me perguntam: Como você fez para ensinar os planos fotográficos para eles? Leia a próxima postagem onde conto sobre os bastidores desta oficina, lá vocês ficarão sabendo de tudo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Bastidores [1ª oficina]

Bastidores da postagem anterior.

A primeira oficina iniciou às 09hs da manhã do dia 07/02. Tínhamos duas horas que deveriam ser divididas entre fazer uma breve entrevista com cada participante e praticar fotografia livremente, sem aplicar conteúdo, apenas para que eu pudesse ter dimensão de como eles se relacionam com as câmeras digitais.

Durante a entrevista, que aconteceu de forma mais descontraída e leve, pude entender sobre as doenças que acarretaram na cegueira ou baixa visão dos participantes: Ramão teve glaucoma aos 16 anos de idade; Tania ficou cega devido à diabetes; Alessandra tem distrofia retiniana (Stargardt); Paulo ficou cego porque a forte medicação do tratamento contra a leucemia atingiu o nervo óptico do olho direito; a visão de Marcos vai diminuindo ano após ano, porém está estagnada há cinco; Luiz aos 14 anos sofreu um acidente de trabalho que tirou a visão do olho esquerdo, o olho direito foi perdendo a percepção visual com o decorrer dos anos e agora ele tem apenas 10% de visão neste olho.

Luiz Freitas, o mais velho do grupo, comentou que ele nunca havia pegado uma câmera nas mãos, a experiência de fotografar era algo totalmente novo em sua vida. Quando questionado do motivo que nunca o aproximou da fotografia ele disse: “a gente não tinha uma pessoa que fizesse isso por nós”. Neste instante percebi que este trabalho era a coisa certa a fazer, não por mim nem pela nota que posso receber, mas pelo fato de que ele está ajudando estas pessoas que, muitas vezes, são pouco compreendidas pela sociedade e recebem limitações diariamente.

Depois de 30 minutos de conversa, entreguei uma câmera para cada participante, expliquei brevemente sobre as funcionalidades do equipamento e nos dirigimos até o pátio da casa onde estávamos realizando a oficina. A primeira tarefa era: fotografar livremente. Não havia temas específicos, regras e conceitos. Pude notar os recursos que cada um utilizava para conseguir uma imagem com mais qualidade, alguns exemplos:

Luiz colocava a câmera na altura dos olhos. Em algum momento durante a entrevista eu disse: “as câmeras serão os olhos de vocês”, ele captou a ideia e usou para produzir as imagens como ele achava que funcionava melhor.

Em primeiro plano e à esquerda está Luiz de costas e enquadrado do ombro até a cabeça. Ele esta segurando a câmera na altura dos olhos e está fotografando um menino, de camiseta listrada e colorida, que está parado ao fundo da imagem.
Luiz fotografando um menino.
Ramão fazia o uso do tato para saber quem estava posando para a câmera dele. Foi outra dica que dei durante a entrevista: “vocês devem sentir as imagens, usar os outros sentidos (tato, olfato, audição) para produzir as fotografias”.

Ramão está no canto esquerdo da imagem usando camiseta vermelha e óculos escuros, à sua frente está Tania usando blusa laranja e casaquinho preto, também de óculos escuros. Ramão está segurando a câmera com a mão direita e com a esquerda ele sentiu o rosto de Tania para enquadrá-la na imagem. Ao fundo apenas uma parede verde e algumas folhas da árvore.
Ramão toca o rosto de Tania para enquadrar a imagem.

 Alessandra, ao fazer autorretrato, esticava os braços deixando a câmera na altura de seu ombro, era assim que ela tentava enquadrar as fotos. E conseguiu.

Imagem de uma câmera digital preta e duas mãos a segurando. No visor aparece o rosto de uma mulher, ao fundo podemos perceber o rosto de Alessandra fora de foco. Ela estava fazendo um autorretrato.
Alessandra fazendo autorretrato.
 Marcos colocava a câmera sempre bem rente aos olhos, ele tem baixa visão, bem de perto consegue ter noção da composição da imagem, então ao fazer este gesto ele conseguia enxergar um pouco do que estava a sua volta.

Marcos está enquadrado dos ombros até a cabeça e está de lado, virado para a esquerda, segurando a câmera com uma mão. A câmera está próxima aos olhos, ele usa uma camiseta laranja e óculos de grau. Ao fundo aparece as folhas de uma árvore.
Marcos coloca a câmera perto dos olhos, assim ele consegue ter uma noção de como a imagem ficará.
 Ao término da oficina perguntei qual era a opinião deles sobre o que havíamos aprendido naquela manhã e sobre o projeto em si, todas as respostas foram positivas. E alguns saíram de lá dizendo que comprariam câmeras para poder praticar mais, pois a oficina havia despertado este interesse neles.